A OFICINA

 DE

DOMINGOS MARTINS MACHADO

E

ALFREDO MACHADO

VOLTAR AO ÍNDEX

 

 

Oficina centenária, foi fundada pelo seu pai, Domingos Manuel Machado que, por sua vez, já aprendera a arte com o seu irmão, Joaquim Machado. Domingos Martins Machado, que desde pequeno ali trabalhou, e que já trabalhava nela sozinho há muitos anos, tomou conta do leme definitivamente, a partir de 1991, ano em que faleceu o seu pai e fundador. Actualmente, a transmissão desta arte de família está assegurada pelo seu sucessor – seu filho Alfredo Machado, que faz jus ao ditado: “filho de peixe, sabe nadar”, sendo já um construtor afamado. Os seus cavaquinhos minhotos, entre outros instrumentos, são do melhor que hoje se fabrica.

 

A ajudar a esta qualidade construtiva, muito contribui o facto de não se usarem nesta oficina, quaisquer apetrechos mecânicos ou eléctricos, mas sim exclusivamente manuais, incluindo limas, tico-ticos, plainas, etc, sendo as madeiras de alta qualidade tratadas com todos os segredos apurados na prática de gerações, incluindo as colas, os vernizes e toda a química necessária ao seu tratamento.

 

Desde há décadas que esta oficina não é somente o local onde se constrói todo o tipo de instrumentos de corda, com especial relevo para os cordofones populares portugueses (cavaquinhos, braguesas, requintas, guitarras portuguesas, etc), e onde se têm “ressuscitado” muitos cordofones portugueses que o tempo condenou ao desuso, como toeiras, campaniças, beiroas, requintas, etc, mas também tem sido ponto de encontro de muitos músicos, historiadores, etnólogos, que aqui encontram um local de troca de ideias, de discussão, de análise das formas de executar, enfim, esta oficina tem funcionado como uma autêntica escola da cultura musical popular portuguesa, e não só.

 

Por ela passaram e passam regularmente, figuras conhecidas do nosso meio artístico e eminentes vultos da cultura. Muitas vezes, ao fim da tarde, de pois do trabalho, ou aos fins-de-semana, ali se juntam tocadores que, aproveitam a ocasião para exibirem os seus dotes de tocadores. Toca-se e ouve-se tocar. Aprende-se e ensina-se.

 

Há mais de 20 anos que Francisco Gouveia frequenta esta oficina, quer como cliente – (possui uma colecção de 14 cordofones construídos por Domingos Machado e outros mais recentes, de Alfredo Machado, tendo ali participado em tertúlias, sessões musicais, encontro de amigos, experiências onde se partilhavam saberes e discutiam questões relativas à cultura popular) – quer como amigo pessoal do artesão de quem se orgulha da amizade mútua que os tem ligado durante estes anos.

 

Esta é uma oficina imprescindível conhecer para todos os que, da cultura musical popular portuguesa, pretendem conhecer um pouco mais do que narram os manuais.

Uma oficina onde a cultura está viva.

 

 

 

                

 

Vista geral da entrada da oficina

 

 

 

        

 

 

Nas paredes, como fantasmas, velhos instrumentos danificados, cobertos pelo pó protector que Domingos Machado

se recusa a retirar,  esperam a sua hora de “ressuscitarem”. Tal acontecerá quando o mestre neles pegar para os reparar.

 

 

 

 

           

 

Apetrechos manuais. Na oficina não existem ferramentas eléctricas ou mecânicas, pois todo o trabalho é puramente artesanal,

guindo-se pelos métodos antigos, e utilizando-se somente as ferramentas tradicionais.

 

 

 

 

 

           

 

Moldes e instrumentos em fase de construção.

 

 

 

 

             

 

Sala interior onde os instrumentos novos ou reparados, aguardam que os seus donos os venham buscar.

 

 

 

 

                                                                      

 

Dependência anexa onde se encontram um velho tico-tico e os instrumentos de maior porte

(contrabaixos, violoncelos, guitarras clássicas, etc), já reparados.

 

 

 

 

 

                        

 

Banca de trabalho de Domingos Martins Machado.

 

 

 

 

 

             

 

O artesão Domingos Martins Machado, consertando e, depois, experimentando a viola toeira de Francisco Gouveia,

instrumento que construiu em 1992, e que agora preparou para as gravações deste site.

 

 

      

 

                  Domingos Machado trabalhando com seu filho, Alfredo Machado                      Alfredo preparando a madeira num tico-tico artesanal

 

                          

 

 

 

 

 

 

 

Domingos Martins Machado

Francisco Gouveia

Alfredo Machado

 

 

Estudando um pormenor de acabamento

de um cavaquinho

 

 

 

 

 

 

             

 

Uma cena usual na oficina de Domingos Martins Machado:

pai e filho trabalhando, enquanto os músicos se recriam

VOLTAR AO ÍNDEX                                               (José António Neves na Viola e Francisco Gouveia no Cavaquinho)