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- Álbum - Links p/ correspondência: Guitarras de Portugal R. Dr. António Macedo, 72 4435-211 Rio Tinto |
GUITARRAS
DE PORTUGAL CORDOFONES
PORTUGUESES |
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Francisco Gouveia (cavaquinho, braguesa, requinta, toeira, guitarra
portuguesa) TEMAS
MUSICAIS: (clicar em cima do instrumento) |
José António Neves (guitarra clássica, baixo, teclas) |
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cavaquinho |
braguesa |
requinta |
toeira |
guitarra |
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copyright
© Francisco Gouveia e José António Neves
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Bem-vindo! |
Welcome! |
Bienvenue! |
Willkomen! |
Bienvenido! |
Benvenutti! |
Somos
apenas dois interessados na música popular portuguesa, interesse esse que nos
tem levado a um estudo profundo sobre as nossas raízes musicais tradicionais, nomeadamente
no que se refere aos instrumentos de corda. Interessa-nos particularmente
redescobrir as tradicionais formas de execução, particularmente as mais
avançadas, aquelas que eram praticadas pelos mestres populares, que os houve e
muitos.
Eu, Francisco
Gouveia, dedico-me à parte da execução desses cordofones (cavaquinho,
braguesa, requinta, toeira, etc), tentando recuperar as mais completas formas
de tocar, seguindo o rasto dos antigos tocadores. É uma tarefa complexa, pois
grande parte desses mestres já cá não estão, contudo, ainda tive a felicidade
de conhecer alguns e, dos que não conheci, ainda recuperei algo, aproveitando
até ao mais pequeno pormenor, as lições de outros tocadores mais avisados que,
também atentos, um pouco aqui, um bocado ali, conseguiram reter algumas
características e originalidades das técnicas desses mestres.
Eu, José
António Neves, dedico-me ao estudo puramente musical. Sou professor de
música e há cerca de 30 anos que trabalho com Francisco Gouveia. A minha
profissão, aliada ao cargo que actualmente exerço no Conservatório Regional de
Música de Vila Real, instituição que ajudei a fundar e onde, pela primeira vez
em Portugal, se criaram disciplinas que contemplam o estudo dos nossos
instrumentos tradicionais, tem-me permitido pesquisar neste vasto campo que é o
do folclore português. Nos vários grupos de raízes populares que dirigi,
apliquei o que aprendi. A minha colaboração com Francisco Gouveia, para além do
apoio musical teórico, tem como principal faceta acompanhá-lo musicalmente,
quer com a guitarra clássica, baixo e contrabaixo, piano, teclados diversos e
percussões.
NOTA FINAL: O trabalho incluído neste site é o resultado de alguns anos de
estudo e dedicação à música instrumental portuguesa. Quisemos que fosse um site simples, puramente musical, aberto,
onde qualquer um pudesse não só ouvir como guardar os nossos trabalhos.
Entendemos que a música popular é de todos e deve ser divulgada graciosamente,
pois ela assim é na sua origem. Por outro lado, as gravações são efectuadas sem
truques, sem grandes arremedos de tecnologia, naturalmente, exactamente como se
tivéssemos a tocar os temas num recital em casa do internauta.
Pretendemos
manter o site em constante actualização e abri-lo aos tocadores populares.
Nada mais
nos move se não o amor à música portuguesa e o prazer que é, executá-la.
Obrigado a todos os que se dispuserem a
ouvir-nos.
Francisco Gouveia
José António Neves
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FRANCISCO GOUVEIA
Francisco
Gouveia, nasceu no Porto a 2 de Fevereiro de 1953, tendo, contudo, as suas
origens na pequena aldeia duriense de Pinheiros, no concelho de Tabuaço. Aos 16
anos de idade começou a estudar guitarra clássica. Datam dessa altura, também, os seus primeiros
escritos, alguns publicados no jornal do Liceu Alexandre Herculano onde fez o
ensino liceal. De seguida, cursou engenharia civil na Faculdade de Engenharia
do Porto, onde acabaria por se licenciar. Nessa época era assíduo nas
tertúlias académicas e culturais da cidade, onde se relacionou com muitos
músicos, escritores e intelectuais. Foi guitarrista e teclista em várias bandas
de rock da cidade do Porto, actividade que manteve durante quase uma década.
Pelo meio fica a sua actividade como professor e maestro, tendo dirigido a
secção musical da Escola de Música da Ala Nun’Álvares de Gondomar, onde
fundou e dirigiu uma orquestra de cordas, integralmente constituída por
alunos dessa escola e que, na época, atingiu alguma notoriedade. Colaborou
também na fundação de vários jornais académicos, para os quais escreveu e
que, por motivos da apertada política daquele tempo, acabaram por
desaparecer. Depois da
formatura em Engenharia, continuou a manter a sua actividade musical e
literária, tendo então abraçado uma antiga paixão musical: a guitarra
portuguesa. Como instrumentista viria a publicar um álbum de originais em
1988: “Uma guitarra sobre o rio”,
dando início a uma carreira como concertista actuando em vários palcos
nacionais. Entretanto, e paralelamente, vai exercendo a profissão de
engenheiro civil, destacando-se na Administração Pública, onde desempenhou
vários cargos de direcção na área municipal e, aproveitando os seus
conhecimentos de planeamento territorial, elaborou alguns estudos sobre a
região duriense, a maioria publicados na imprensa regional. Colabora como
cronista e noticiarista em vários jornais e revistas regionais. Como
escritor, as suas primeiras obras versam a temática duriense, a sua ambiência
e história. Na
sequência de um prémio obtido num concurso de contos levado a efeito pelo Jornal
de Notícias, decide escrever com mais assiduidade. Assim, numa periodicidade
de uma obra por ano, edita os seguintes trabalhos: A Lenda do Douro (novela de 1997), Há Névoa no Rio (contos de 1998), As Escadas do Céu (romance de 1999), Livro dos Poemas Pobres (poesia em 2000), Pietà (romance em 2000),
Meiga, como a voz da montanha (contos de 2002), O Jardim Secreto (romance de 2003), Trás-os-Montes, Trá-los Cá (poesia em 2004), Esboços Durienses (memórias, em 2006).
Como
jornalista, mantém uma colaboração semanal nos jornais Notícias do Douro, Voz
de Trás-os-Montes e em várias revistas regionais. Ainda como músico, há mais
de 20 anos que é frequentador assíduo da oficina do mestre construtor
Domingos Martins Machado onde se iniciou na execução dos cordofones populares
portugueses, nomeadamente a viola braguesa, o cavaquinho, a requinta, a
toeira, efectuando anualmente vários recitais sobre aquela temática. É um
estudioso da etnomusicologia portuguesa com especial incidência nas técnicas
instrumentais dos cordofones populares portugueses. É sócio da Sociedade Portuguesa de Autores e membro da Associação Portuguesa de Escritores. |
JOSÉ ANTÓNIO NEVES
José
António de Matos Esteves das Neves nasceu no Porto em 1959 e reside Frequentou cursos com os Professores Jos
Wuytack, Pierre Hauwe, Aurora Biscaia e Francisco Gouveia, bem como cursos
específicos nas Universidades de Navarra e Complutense de Madrid. Entre
outros, trabalhou com professores, maestros e compositores, tais como: José
Prata, È sócio
fundador e membro da Direcção do Grupo Recreativo e Cultural “A Voz do
Campo”, onde fundou a Tuna que actualmente dirige. Colaborou com a Possui
ainda uma vastíssima obra editada, quer literária (ensaios etnográficos, de música
popular, etc) quer musical, onde se destaca a composição de várias obras e
colaboração em discos, programas de rádio e televisão, bem como a produção de
inúmeros concertos e recitais, tais como: Orquestra Metropolitana de Lisboa,
Orquestra do Norte, Orquestra Clássica do Porto, Orquestra Orff, Círculo de
Ópera Portuense, vários grupos corais nacionais e estrangeiros, e vários
instrumentistas de renome do nosso panorama musical, tais como Mário Laginha,
António Pinho Vargas, Pedro Caldeira Cabral, Pedro Burmester, António
Vitorino de Almeida, António Rosado, Gerardo Ribeiro, Lurdes Alves e Tobias
Cardoso, entre outros. Há mais
de duas décadas que se dedica, juntamente com o etnólogo Francisco Gouveia,
ao estudo da temática instrumental folclórica, sendo seu colaborador de
eleição. |
SOBRE OS
CORDOFONES PORTUGUESES
1 - NA DEMANDA DOS
SEGREDOS DOS GRANDES TOCADORES POPULARES
Hoje em dia,
quem ouve e vê um rancho folclórico, já pouco se entusiasma com a parte
musical. Há muito que os grandes tocadores de cordofones debandaram dos palcos
e tablados. Por onde andam, então? E porque se “extinguiram”?
Primeiro,
há que entender o papel dos tocadores populares e a forma como, a partir de
cerca dos anos 60 do século XX, foram deixando de tocar em ranchos. Alguns
refugiaram-se nas Tunas, Rusgas e Tocatas. Outros remeteram-se ao anonimato da
sua casa, do seu bairro, da sua aldeia. De facto, foi por volta da altura que
referi que o Poder de então lançou uma campanha de publicitação do país onde os
ranchos folclóricos eram parte integrante e fundamental. Foi a época do “rancho
para cartaz turístico” sendo facilmente constatável, na altura, que qualquer
cartaz a anunciar um evento em Portugal, tinha a fotografia de uma mulher
aparentemente rural, vestida com o traje do rancho. Assim como era usual
representarem-se os instrumentos populares misturados com “bouquets” de fogo de
artifício, imagens de santos, fotos de monumentos, etc, etc. Foi também a época
de introdução do acordeão francês no apoio musical desses grupos. Rapidamente,
a sonoridade fortíssima destes acordeões abafaram praticamente todos os outros
instrumentos. Mesmo as concertinas, que foram introduzidas no nosso folclore no
início do século XX, também perderam importância.
As
referidas concertinas, as diatónicas de botão, já possuíam um volume sonoro
muito agressivo para a delicadeza dos cordofones que, contudo, foram aguentando
o seu papel nos grupos musicais. Mas se as concertinas, por esse motivo, vieram
alterar o quadro musical que até ali era desempenhado em exclusivo pelos
instrumentos de corda, de tal forma que é aceitável a teoria de que foi nesse
momento que começou o declínio dos cordofones, a chegada dos acordeões foi o
golpe de misericórdia nos instrumentistas cordofónicos. A partir dali, os
naipes de cordas dos ranchos praticamente deixaram de se ouvir. Mesmo com
vários instrumentos (braguesas, violões, cavaquinhos, toeiras, etc) a tocarem
ao mesmo tempo, a sonoridade que debitavam não era capaz de se fazer ouvir no
meio dos acordeões e dos bombos. Resultado: perdeu-se qualidade e, muito
brevemente, os melhores tocadores desistiram. Esta época, onde os ranchos
folclóricos se confundiram com “grupos excursionistas” durou anos a fio. Só
muito mais tarde, aquando da chegada ao mundo folclórico de estudiosos mais
puristas, se tentou a reabilitação dos cordofones, tentando-se um equilíbrio
mais rigoroso entre os diversos instrumentos. Não quero com isto denegrir
totalmente o papel dos ranchos folclóricos de então, porque sob o ponto de
vista da dança, dos cantares, da coreografia, da recolha de temas, algo de
válido foi feito e muito boa gente integrou estes projectos, mas, sob o ponto
de vista puramente instrumental, há sérias culpas a atribuir-lhes. Creio que,
apesar do esforço de então (estamos a falar de fins dos anos setenta do século
XX), grande parte da arte dos tocadores de cordofones já se tinha perdido.
Contudo, alguns ainda resistiram. Os tocadores de cariz meramente rural, quase
que desapareceram, ficando para a história e para a memória de quem os ouviu,
um grupo especial de bons tocadores, já oriundos de estratos sociais um pouco
mais elevados e que foram mantendo, e até desenvolvendo, técnicas e
repertórios.
Exemplos
destes artistas eram os comerciantes, os barbeiros, os taberneiros e, de uma
forma geral, quem tinha profissão mais liberal, ou seja, quem pudesse despender
algum tempo diário para a música. Ainda me lembro de ver pendurado a um canto
do estabelecimento, um cavaquinho, um bandolim, uma viola. Enquanto esperavam a
chegada de um cliente, estes músicos amadores iam executando as suas modas,
treinando a destreza, entretendo quem passava. E havia também quem se dedicasse
por carolice pura, no anonimato da sua casa. Eu tive a felicidade de conhecer
ainda alguns, e numa altura onde estas coisas não me eram avessas e quando
comecei a estar atento a estas manifestações. Não quero referenciar esta causa
como a única que levou ao quase desaparecimento dos tocadores de cordofones.
Outras houveram, nomeadamente a falta de apoios de então, o ostracismo que
sempre este país usou contra aqueles que se dedicavam ao cultivo das suas
raízes (que o dissessem Giacometi e Ernesto Veiga de Oliveira, se fossem
vivos). Acima de tudo, e quanto a mim, faltou o incentivo, a razão de ser, o
reconhecimento. Só muito mais tarde, já o século XX entrava na fase quase
final, o país se foi apercebendo de certos crimes do passado e tentou reabilitar
estas artes antigas. Papel fundamental na reabilitação das nossas tradições
musicais, tiveram (e têm) os novos grupos de música popular portuguesa.
Constituídos por gente de nível cultural elevado, têm conseguido repor alguma
ordem de valores na música tradicional portuguesa. De uma certa forma, têm
arejado o sótão bafiento onde se esconderam as nossas memórias rústicas. As
tecnologias de hoje permitem, também, registos de qualidade. Todos eles formam,
hoje em dia, os herdeiros do Grall da música popular portuguesa. E são eles que
prosseguem a demanda. Nada está perdido, e novos ventos estão a varrer a música
portuguesa. Pena é que, como no tempo dos grandes tocadores, o Poder continue a
ignorá-los, os média continuem a não
dar por eles, e, assim, o grande público continue sem os conhecer. Contudo, uma
camada séria e alargada de interessados, tem vindo a aumentar e a alimentar as
expectativas de todos os que se dedicam a esta parte da etnologia do povo
português.
A demanda
continua. Sem tréguas.
2 – AS ORIGENS
Olhamos
para as mãos grossas e calejadas dos trabalhadores rurais e espantámo-nos como
era possível que mãos assim pudessem debitar som de instrumentos tão delicados
como são o cavaquinho ou a braguesa – por exemplo. Mas espantámo-nos mais ainda
quando vemos que eram esses mesmos rurais que preenchiam as bandas e
filarmónicas por esse país fora, lendo pautas e executando instrumentos de
sopro com alguma destreza. É certo que tem de se encarar a realidade: nunca um
músico com semelhantes características manuais poderia ascender a ser um
virtuoso. Com os cordofones passava-se a mesma coisa. E é verdade que os
melhores tocadores, como disse, emanaram do meio mais aburguesado. Contudo, as
origens continuavam a estar na ruralidade mais dura. Por exemplo: creio que as
origens das afinações dos cordofones remontam a este facto singelo: havia que
afinar o instrumento para que fosse possível a execução dos acordes necessários
ao acompanhamento do canto (função primária para que teriam sido criados) e, ao
mesmo tempo, fosse fácil executar esses acordes.
É assim que
descobrimos que nas afinações mais antigas (talvez as originais), com um ou
dois dedos da mão esquerda se faziam pelo menos três acordes (tonal, mais a
quinta acima e abaixo). Posteriormente, estas afinações foram sendo alteradas,
havendo algumas (como na braguesa a Mouraria Velha), que é uma afinação já
muito técnica, intelectualizada (com a devida distância pela utilização do
termo). Seja como for, e independentemente das alterações que foram surgindo ao
longo dos anos, o certo é que, creio eu, o objectivo era uma economia de meios
(de dedos, no caso), pois como facilmente se pode entender, a execução de mão
esquerda tinha sérias limitações. Mas, estas limitações compensá-las-ia o
tocador com técnicas deslumbrantes de mão direita. Exemplo desta genialidade, é
o “varejado” do cavaquinho. Era assombroso como, num pequeno instrumento de
quatro cordas, de escala limitadíssima, fosse possível integrar o
acompanhamento, o contraponto e a melodia tudo ao mesmo tempo. Executado com
perfeição, o “varejado” dá a sensação de estarmos a ouvir vários instrumentos
ao mesmo tempo: acompanhamento e melodia como se fossem debitados por
instrumentos diferentes. Assim como, na braguesa, a aplicação destas técnicas a
um cordofone mais amplo e brilhante, traduziu-se em interpretações mágicas.
Digo eu
que, para entendermos o espírito da verdadeira música tradicional, é necessário
entender e descodificar todas estas matrizes. E o assunto é problemático dado
que, muitas das vezes, as maneiras de tocar variavam de tocador para tocador
não sendo raro, como na culinária tradicional, a existência de “segredos”
próprios. No fundo, para um músico avisado e com formação, não seria difícil
perceber o que estava a ouvir. E ai de nós se assim não fosse!: sem gravações,
quem poderia apreender e transmitir esses “segredos”?
As origens
são simples. Os resultados partilham a solidez de toda a música popular.
Fiquemos por aqui.
3 - O BINÓMIO TOCADOR /
CONSTRUTOR
Foram os
construtores que, de facto, fizeram evoluir os instrumentos populares. Não só
porque a maioria deles também tocava, porque as suas oficinas eram ponto de
encontro de interessados e entendidos, mas também porque nunca se acomodaram. E
eram os tocadores mais exímios que, perante algumas limitações, quer sonoras
quer técnicas, dos cordofones, aconselhavam o construtor a experimentar esta
ideia, a aplicar uma madeira diferente, a corrigir uma deficiência numa parte
do instrumento, enfim, a melhorar a qualidade do mesmo. Das madeiras iniciais
com que eram construídos (pinho, tília, choupo), madeiras baratas e
disponíveis, foram, a expensas próprias dos construtores com todos os riscos de
investimento que tal acarretava em que já ganhava pouco, experimentando a
cerejeira, a nogueira, o mogno, e, posteriormente, o pau-santo e o pau-preto,
para além do embelezamento, com a utilização de madrepérolas, marfins, etc.
Desde logo a qualidade sonora melhorou como da noite para o dia, e o som por
vezes agaitado, choco, metálico, deu lugar a sonoridades mais cheias, mais doces,
mais amplas.
Algumas
transformações a nível das técnicas de construção, como a maior amplitude das
caixas, um melhor aperfeiçoamento dos braços, substituição das cravelhas pelo
carrilhão, a introdução de cavaletes de apoio, etc, originaram também, maiores
exigências instrumentais. Lembro-me ainda de, há mais de duas décadas, estar
horas na oficina de Mestre Domingos Machado, em Tebosa, discutindo pormenores,
por vezes à volta da recuperação de um instrumento mais antigo e que me parecia
com algum defeito aqui ou ali. Aliás, se há exemplo da perfeita conjugação de
esforços entre os tocadores e os construtores, esse pode ser representado pelo
citado e a sua impressionante oficina (30 metros quadrados com a maior densidade
de memórias da música tradicional!).
Entretanto,
pena é que os construtores estejam a desaparecer. O artesanato musical parece
não despertar interesses. Mas, se sob o ponto de vista da execução
instrumental, podem existir estudiosos porque se trata de uma actividade que
tradicionalmente é cultivada por amadores, já na parte da construção não é
possível o amadorismo. A profissionalização é necessária, essencial. E a
profissionalização desta arte é impossível sem apoios oficiais.
4 - O QUE RESTA?
No fim da
demanda, fica a vontade de não deixar morrer a memória de um povo. As suas
melhores memórias. E que melhor memória haverá do que um vira bem executado num
cavaquinho, uma chula numa braguesa, uma balada numa toeira?
Trata-se
das raízes de um povo. Trata-se de nós. Ninguém enfrenta o futuro sem ter os
pés bem assentes no passado. Uma escada só se sobe, seguramente, de degrau a
degrau.
E afinal,
uma Nação até pode existir sem uma bandeira, sem um hino, sem um rei, sem lei,
até mesmo sem um território. Mas uma Nação não existe sem a sua cultura
popular. Esta é o cimento dos Povos. O que os une e mantém.
Francisco Gouveia
Março de 2007
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Uma Guitarra Sobre o Rio (instrumental para
guitarra portuguesa escrito por Francisco Gouveia e gravado/editado em 1988) Francisco Gouveia
(guitarra portuguesa) José António Neves
(viola) - Sonata para
uma Guitarra Só (sem acompanhamento) |
Concerto de Natal do Colégio
Luso-Francês (Porto 1990) Francisco Gouveia
(guitarra portuguesa) José António Neves
(viola) Nuno Alexandre (viola
baixo) - Glória in
Excelsis Deo (anónimo) - Comboio da
Neve (Francisco Gouveia) - Canção da
Montanha (Francisco Gouveia) - Over the Rainbow (Harold Arlen) - Primavera
(Francisco Gouveia) - Sonata em Dó M
(s/ acomp.) (Francisco Gouveia) |
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CAVAQUINHO MINHOTO Pequeno cordofone de 4 cordas, com cerca de 52
cm de comprimento, 12 trastos, de escala rasante com o tampo. Não há certezas
quanto à sua origem, defendendo alguns estudiosos que derivou dos
tetracórdios helénicos, outros levantam a hipótese de ser um herdeiro do requinto espanhol – viola muito
semelhante ao cavaquinho. Seja como for, foi no Minho que este instrumento
teve o maior acolhimento em Portugal, tendo-se transformado num “cartão de
visita” do folclore daquela região. Há referências de construção deste
instrumento, em Guimarães e Braga, desde há cerca de 300 anos. Inicialmente
era construído em madeira de pinho, tília ou choupo, passando depois a
utilizar-se também a nogueira e a cerejeira. Actualmente, os melhores
construtores usam o pau-santo, madeira que melhorou substancialmente a
qualidade acústica do instrumento. A sua afinação tem muitas variantes, não
sendo raro que cada tocador invente a sua própria afinação. Contudo, as duas
afinações mais usadas são (da corda aguda para a grave): ré, si, sol, ré e
mi, dó sustenido, lá, lá. Toca-se utilizando três técnicas: ponteado, rasgado
e varejado. O ponteado é a forma de solar, nota por nota, o rasgado toca-se
em acordes e pode ser simples, duplo ou triplo, conforme se utiliza só o
indicador da mão direita, indicador e médio ou indicador, médio e anelar. Da
mesma forma o varejado utiliza, para além dos dedos referidos, também o
polegar. Uma boa execução, geralmente, mistura as várias formas de tocar,
conforme o efeito que se pretende obter. |
Francisco
Gouveia (cavaquinho)
José
António Neves (guitarra clássica, baixo, piano, teclado, percussões)
TEMAS:
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GUITARRA BRAGUESA Guitarra muito popular e exclusiva do Entre Douro
e Minho, originária da vihuela espânica medieval, de comprimento variável
entre os 72 e os 90 cm, com 5 cordas duplas e escala rasante com o tampo. Tem
uma variante, a viola amarantina, que difere desta somente na abertura do
tampo que, na braguesa é redonda e na amarantina formada por dois corações
simétricos. Possui várias afinações sendo que a altura das mesmas pode variar
conforme o instrumento que acompanha. Tido inicialmente como instrumento de
acompanhamento, não era raro verem-se executantes exímios que tocavam
elaborados temas onde a melodia se misturava com o acompanhamento e o
contraponto. As suas afinações mais usadas são (do agudo para o grave): lá,
mi, si, lá, ré, e, também: sol, mi, si, lá, si, onde o si (terceira) é
afinada uma oitava acima, sendo assim a corda mais aguda. Esta última
afinação é apelidada de “Mouraria Velha” e é, quanto a nós, a afinação que
mais a beneficia sonoramente. Há várias técnicas de execução, algumas mais
rústicas, em rasgado simples, outras mais elaboradas, muito semelhantes ao
varejamento do cavaquinho, contudo, os antigos bons tocadores aplicavam, como
base, técnicas derivadas da guitarra, a que juntavam o rasgado e o
varejamento. É a viola mais “brilhante” do património cordofónico português e
a mais popular, tendo resistido à erosão do tempo pelo que ainda hoje é a
viola portuguesa mais tocada. |
Francisco
Gouveia ( braguesa)
José
António Neves (guitarra clássica, baixo, harmónio)
TEMAS:
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- Dança de Roda (popular adaptado Francisco Gouveia) - Vi-te Nua na Ribeira (popular adaptado Francisco Gouveia) - Vira de Sta. Marta (popular) |